Setor de construção quase dobra em quatro anos
Forte expansão no segmento residencial impulsionou resultado, diz Sinduscon-SP
O PIB (Produto Interno Bruto) do setor de construção civil - ou seja, os valores movimentados pela cadeia produtiva desse segmento da economia, que inclui materiais e terrenos, por exemplo - quase dobrou entre 2006 e 2010. Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (21) pelo Sinduscon-SP (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo).
O crescimento do setor no período foi de 83%. O resultado foi puxado principalmente pelos resultados de 2007 e 2010: no ano passado, o PIB do setor cresceu 13,5%, e em 2007 a expansão foi de 8,8%. Para este ano, a previsão é de crescimento de 6%.
O presidente do sindicato, Sérgio Watanabe, disse que o que o setor mais precisa hoje é encontrar formas alternativas de financiamento habitacional.
Ele destacou que um dos grandes impulsos do mercado residencial foi o aumento da renda e a melhora no nível de emprego da classe média: de 2004 até o ano passado a construção voltou a ter forte crescimento devido a fatores como a retomada do crédito, o controle da inflação e o atendimento da demanda - principalmente no segmento residencial.
- A construção nunca teve um período tão bom desde a época do milagre econômico [nos anos 70] Então estamos falando de um forte crescimento nos últimos anos, depois de mais de 20 de estagnação. Na classe C muita gente conseguiu comprar seu primeiro imóvel. Em algumas cidades do país, até a população de baixíssima renda, que nunca teria um imóvel, teve a oportunidade de financiar com ajuda do governo.
Ele cita que o Programa Minha Casa, Minha Vida teve grande responsabilidade no impulso ao setor. Entre 2009 e 2010, o programa do governo que deu subsídios para famílias de baixa renda financiarem a casa própria fechou 1 milhão de contratos no país.
Watanabe diz que ainda falta muito para o país ter casa para todos. Nas contas do sindicato, é necessária a construção de 23,5 milhões de moradias até 2022 para zerar a falta de casas (o chamado déficit habitacional) e atender a formação de novas famílias.
O sindicato diz que alguns problemas ainda devem ser resolvidos no curto prazo para manter o forte ritmo de crescimento. Os principais são a falta de terrenos, principalmente em grandes cidades como São Paulo, e a formação e qualificação de mão de obra.
- O Brasil precisa investir em infraestrutura, e essa depende do setor da construção. Precisamos aumentar a produtividade e encontrar novas tecnologias para a construção.
Marcel Gugoni, do R7
